sábado, 27 de junho de 2009

Michael Jackson

A morte de Michael Jackson parece ter detonado uma avalanche de histeria e excessos de louvores, mas não se pode negar que foi um dos personagens do século.
O pobre menino rico, traumatizado por violência e abusos na infancia, que carregou além do enorme talento musical o peso das assombrações do passado, da infancia não vivida, da negação da raça e da própria aparência.

Acho que se realmente existiu um fantasma na Ópera de Paris, vivendo no subterrâneo, deformado e atormentado pelo isolamento, talentoso e apaixonado, ele bem poderia ter sido Michael Jackson.
Partes importantes da nossa vida foram coloridas pelos acordes de suas músicas, e ao ouvi-los agora neste frenesi fúnebre, boas e más lembranças são resgatadas, pedindo para ser relidas.

É interessante notar que os mesmos veículos que tecem louvores e memoriais não hesitaram em sorver as últimas gotas do sangue dele para fazer notícias e dinheiro, criando e ampliando escândalos, e os amigos agora vão promover eventos de tributo ao cara com quem não queriam ser vistos pouco tempo atrás.

A fama é um teste ácido e terrível. Quem não tem maturidade ou alcance para vive-la não sobrevive a ela, por mais talento que possua, o grande teste é: voce a possui ou ela possui você?

viva o anonimato!

terça-feira, 23 de junho de 2009

motocicleta Zen

Às vezes reencontro cadernos antigos de anotações, em meio ao eterno acampamento que minha casa se tornou, como não é um lar definitivo, muitas coisas não foram desencaixotadas, e ao vistoria-las em busca de alguma coisa acabo descobrindo tesouros.
Estas anotações são de um livro alemão chamado "Zen e a arte de reparar uma motocicleta", de Robert Pirsig, que não tive o prazer de ler inteiro pois ainda não consegui uma cópia em inglês. ( a língua alemã e eu, depois de 2 semestres de combate, houvemos por bem aceitar que não fomos feitas uma para a outra, e como o pouco aprendido era suficiente para viajar, entreguei os pontos).

"Quando voce se dedica pela primeira vez a um trabalho maior, por certo há de temer o contratempo da sua elaboração na sequência invertida. Isso ocorre, em geral, no momento em que voce acha que estava a ponto de terminar a tarefa. Depois de dias de trabalho, terá que recomeçar tudo de novo.. mas de onde surgiu isso? Uma caixa de bielas???? Como pude me esquecer dela? Oh meu Deus, agora vou precisar desmontar tudo? Voce até parece estar ouvindo a coragem se esvaindo....Pffffft.
Nestes casos, nada resta a fazer a não ser recomeçar do início e tentar montar mais uma vez o motor... depois do descanso de cerca de um mês, enquanto se acostuma com a idéia.
Apesar de todas as precauções, pode acontecer outra vez; voce pode colocar um componente na sequência incorreta. Se isso acontecer , é necessário que observe o seu marcador de coragem. Evite a coragem do desespero, que o levará a repor o tempo perdido com trabalho excessivo. Em casos assim, costumam ocorrer ainda mais erros. Desta forma, se for preciso desmontar o motor mais uma vez, é imprescindível fazer o já mencionado intervalo."

" A coisa que mais me entedia é limpar a moto. No meu modo de ver, trata-se de pura perda de tempo. Em poucas horas, estará suja outra vez; é só andar um pouco com ela. Uma forma de não se aborrecer ao executar certas tarefas, como esfregar, trocar óleo e abastecer, consiste em fazer delas uma espécie de ritual. Trabalhar com coisas a que se está acostumado e com outras a que não se está tem um estética própria. Eu limpo a motocicleta como vou à igreja, não com a esperança de que aconteça algo de novo, mas para renovar meus conhecimentos com aquilo que já conheço bem.
Muitas vezes é bonito percorrer velhos caminhos conhecidos."


" A motocicleta na qual se trabalha, somos nós mesmos. A máquina que aparentemente "está lá fora" e a pessoa que aparentemente está aqui dentro não são, na verdade, duas coisas separadas.
Crescem juntas em qualidade ou distanciam-se dela."

Acho que entendi o que minha motocicleta estava precisando ao decidir vir para o retiro... me acostumar com a idéia de que a sequência das coisas foi errada, precisa ser refeita, e isso pode envolver tarefas entediantes e o aprendizado de novas técnicas, retrilhar velhos caminhos com um novo olhar.
Pode levar muito mais de um mês.
*smile*

segunda-feira, 22 de junho de 2009

viram o coelho?

No livro de Lewis Carol, Alice no País das Maravilhas ( que por sinal acabou de virar um filme de Tim Burton), o coelho branco é o guia que a conduz para um mundo subterrâneo e de fantasia, através de uma passagem dentro da toca dele.
No filme Matrix, Neo é convidado a seguir o coelho branco se quiser "acordar".


A pergunta é: alguem viu o coelho branco passar por aí? viu? viu?


Tem tanta gente que está na hora de acordar, ou pelo menos mergulhar na caverna do seu próprio interior para ver se se enxerga e se entende..... quem não se conhece não pode querer julgar os outros, nem sequer pretender entende-los! O coelho nos mostra o que temos, e nos leva em direção ao que devemos ver e aprender.

Muitas pessoas vivem o mundo de hoje exatamente como o pobre coelho branco de Alice, escravos do relógio, sempre nadando contra a maré atolados em compromissos, sem tempo nem para respirar, quanto mais tempo para refletir?

O quanto será que vale a pena "viver" assim?
Ontem vi numa propaganda política que um brasileiro trabalha 132 dias do ano ( 1/3) apenas para pagar impostos... fora isso, voce deduz o que gasta em transporte, principalmente em cidades grandes... e sobra o que? (alem do stress, dos filhos clamando por sua atenção, da falta de desenvolvimento pessoal em outras áreas, e do tal tempo para refletir)

A vida, sem espelho, reflexão, e consequente evolução, não leva a nada a não ser a sobrevivência rasa e nula.

Sigam aquele coelho!!!!

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Lei da Lógica II

Pensando melhor sobre o assunto dos argumentos "lógicos" que fundamentam a "evolução" tecnológica e científica do mundo atual.... coletei mais alguns azulejos que espero um dia formem uma parede onde possa me escorar.

"O pensamento começa apenas quando nós vimos que a razão, priorizada por séculos, é a mais teimosa adversária do pensamento." Martin Heidegger

"O pensamento racionalista rejeita qualquer proposta que não tenha sido "provada" de acordo com seus próprios critérios, enraizado na pressuposição de que uma hipótese tem que se referir a uma realidade tangível e mensurável, divorciada das impressões que são a raiz do julgamento. Porém a realidade que serve de referência comparativa nada mais é que uma suposição, um esquema simplificado de experiências vividas. .. cada uma circunscrita por práticas tecnico-analíticas executadas num fragmento de realidade, extirpado das realidades a que estava ligado."

" A ciencia contribui para o modelo do ambiente sócio economico através da sua produção tecnológica, e daí vem a grande contradição da nossa mentalidade moderna: de um lado afirmam a validade de nossa produção mental e a necessidade de manter critérios cientificos como os únicos realmente válidos em detrimento de outras formas de conhecimento, porque os critérios se acredita que garantam a legitimidade dos resultados e satisfaçam os requisitos da racionalidade moderna. De outro lado, admitem livremente que a civilização - a despeito de todos os benefícios tecnológicos - é um desastre sem conserto a nível de humanidade: nossas cidades industrializadas são lugares intoleráveis para se viver, o número de casos de suicídio está crescendo vertiginosamente, principalmente entre os jovens, a civilidade está em acentuado declínio, valores éticos e emocionais estão se atrofiando, as relações interpessoais perdendo tudo que tiveram de calor e concordância, ecossistemas são destruídos lenta mas definitivamente... tudo isso numa manifestação simples de um único evento da história contemporânea - a destruição interior do ser humano.
A modernidade simplesmente colhe o mundo que ela mesma está plantando." Patrice Guinard

Cada pessoa tem que pensar isto dentro de sua própria área de conhecimento ( esta fragmentação já é em si uma perda , o mundo de hoje não teria lugar para a versatilidade cultural e cientifica de Leonardo da Vinci))... minha área é médica, então o que eu vejo são mil subespecialidades na medicina e ninguém tem condições de tratar um ser humano inteiro... minha amiga da Suécia tem um cancer na base da língua, que de acordo com o sistema de saúde de lá não é pertinente à área de atuação de nenhum médico existente, gastrologista empurra pra dentista, que empurra pra otorrino... e assim ela vai indo ...

A neurobiologia ainda não conseguiu nem ver, quanto mais explicar o que a consciência é... pode fazer mil eletroencefalogramas que ainda não vai saber o que é um sonho, muito menos ainda um sonho premonitório. Se ele existe, e já foi amplamente documentado, porque simplesmente ignora-lo apenas porque não se encaixa em nenhum modelo já criado de experimentação?
Se eu não posso medir não existe?

Qualquer freio que se ponha no modo pensante de um ser humano é apenas uma corrente que o prende a uma realidade incompleta e torta... seja este freio uma religião, um código "moral", um modelo econômico ou critérios científicos "aceitos". Eu afirmaria hoje que o pior tipo de idolatria existente neste instante na humanidade é o critério científico.
O difícil é fazer estes senhores da ciência aceitarem que a realidade que eles propõe é apenas parcial e não é funcional de forma autônoma, todos os processos base de funcionamento dela eles ainda não provaram, mediram e testamentaram perante seus pares...

A grande sabedoria ainda é dizer que quanto mais se estuda, mais se percebe que nada se sabe... e assim um velho, velho e querido filósofo deve estar há séculos se torcendo no túmulo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

mitos e homens


Desde tempos antigos os homens imaginam seres meio animais vivendo paralelamente a eles... esfinges, grifos, harpias, tritões e sereias, centauros. Qual a razão disto?
Simplesmente querer romantizar lendas, ou retratar aspectos animais ainda existentes na psique humana? Estética artística?

Eu sempre acreditei que a mitologia dos povos antigos foi a ancestral da Psicologia, e que no desenrolar dos mitos se enxerga e compreende angústias e virtudes do fato de ser humano e ter que viver uma vida humana num mundo sobre o qual não se tem controle.

Os centauros seriam criaturas meio homem meio cavalo, violentos, de rompantes, atléticos, egoístas. Os tritões e sereias seriam criaturas meio homem meio peixe, viendo no umbral entre os mundos marinho e terrestre, com destacada frieza e necessidade de atrair os homens para seu mundo onde não sobreviveriam.

Qualquer que seja o animal em questão, o que estes mitos retratam é uma vida de excluído, de pária, de viver entre dois mundos sem pertencer ou ser bemvindo a nenhum deles.

Ser ou não ser, eis a questão. Mas Ser envolve Pertencer ... ou não pertencer, outra questão.

Ser mais peixe ou homem?
Reagir com o instinto ou com a razão? (Será que alguem tem controle sobre isso?)
Se deixar domesticar ou correr livre?

Quando eu era criança tinha mania de ficar conversando com peixes no aquário, achando que ele podiam me enxergar, que podiam me entender. Muitas das melhores lembranças da minha infancia envolvem o Aquário de Santos e os vidros mágicos que permitiam ver dentro de outro mundo.

Durante toda minha vida profissional conversei com animais e ainda faço isso hoje, o quanto eles podem entender eu não sei, mas há com certeza uma certa instância de comunicação.

Em 1917, Kafka escreveu o seguinte no conto O silêncio das sereias:
" As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio."

Silêncio dói, e incomoda muito mais do que falatório.
Como nos comunicar com a parte animal que existe dentro de nós? Como reconhece-la e valoriza-la? Porque mesmo sem caudas ou patas nos sentimos excluídos vivendo entre 2 mundos diferentes...
Melhor procurar alguem da nossa espécie ou se misturar?
Ficar em silêncio ou se comunicar?

Muita coisa para se pensar...

A questão será ser ou não ser, ou talvez crer ou não crer, ou mais ainda, querer ou não querer???

Muita coisa para se pensar...

Bom, deixa eu arrumar minhas escamas que está na hora de sair.... hoje a caminhada é no frio e silencio da noite.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Lei da Semeadura


A Kabbalah diz que dentro de uma semente existe uma árvore inteira, com as futuras sementes dela. A semente é a coisa mais mágica que existe na natureza, porque dentro de uma coisa aparentemente sem vida existe tudo em potencial, esperando ser acordado da dormência.

A semente dos atos e das vidas tambem funciona assim. Numa palestra do espírita Divaldo Franco eu ouvi anos atrás uma frase que nunca esqueci: a semeadura é opcional, mas a colheita obrigatória (uma interpretação de Kardec "Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza" ).

A maioria das pessoas não sabe que Goethe era botânico amador, e escreveu em sua Metamorfose das Plantas ( livro usado como fonte de estudos filosóficos pelas correlações ente a natureza e o espírito humano) :
" Simplesmente adormeceu a força na semente, um modelo incipiente,
Deitado, fechado em si mesmo, curvado debaixo da cobertura,
Folha e raiz e embrião formado, apenas, pela metade, e incolor;
Seca, a semente mantém protegida a vida assim conquistada..."
O mesmo Goethe escreveu: "Há momentos que contêm em si o potencial de uma vida toda."

Essa é a base da prática da Astrologia, um momento (nascimento) congelado num gráfico contem em si o potencial ( não o destino) de uma vida inteira.

A Lei da Semeadura tem várias facetas:
-voce semeia o que tem, portanto colhe frutos do que voce é;
-voce pode escolher semear em qualquer lugar, circunstancia, ou pessoas, mas é ali mesmo que vai ter que colher;
-a qualidade da semente é diretamente proporcional à qualidade dos frutos;
-há sementes que têm um período longo de dormência.... situações que precisam de anos para amadurecer e então florescer, às vezes quando não nos lembramos mais delas;
-o tamanho da semente não é proporcional ao tamanho da árvore... um pequeno ato de gentileza ou caridade pode gerar um baobá de felicidade;
-há anos em que a safra é pouca, mirrada, custosa... mas a natureza persiste em tudo que existe... e cedo ou tarde uma nova florada vai carregar a árvore de frutos numerosos;
-qualquer roceiro sabe que se colocar uma boa semente em local ruim não vai colher nada... é preciso adequar a semeadura ao ambiente receptor, para que se produzam condições favoráveis ao crescimento da semente... é mais ou menos como falar numa linguagem em que o outro possa compreender voce para que o entendimento seja produtivo, sem arrogancia;
- as sementes crescem e florescem de modo diferente conforme o local onde estão e a forma como são cuidadas... mas ainda assim os frutos que delas nascerem serão iguais ao original.
Tipo: uma família simples pode gerar um filho que se torna rico e famoso, mas mesmo que ele se modifique e se envergonhe da famíla original, ele é um deles, sempre vai ser um deles, e vai gerar descendentes deles. ( a maldição do DNA...hehehe) Todo mundo acha a jaca uma fruta cafona... voce pode plantar uma semente de jaca num vaso maravilhoso, que será cultivado num palacio com a finalidade de ser uma folhagem bonita... mas quando nascerem frutos, eles serão jacas, puras, doces, deliciosas ... e cafonas.

Às vezes quando caminho no retiro vejo tantos tipos de sementes no chão, em grande quantidade, e penso... há um estoque de sementes que simplesmente nunca é plantado, nunca vai crescer, vai ficar aqui no cimento, perdido... acho que da mesma forma guardamos para nós mesmos alguns atos de caridade ou gentileza que poderíamos ter tido, algumas emoções que poderíamos ter compartilhado, alguns sonhos que deveríamos ter plantado e alguns momentos que preferimos não viver ... e eles simplesmente vão voar na próxima lufada de vento. Escolhemos semear ou não, em cada passo do nosso dia.

Existe uma outra categoria vegetal, que não se reproduz por sementes... voltarei a ela um outro dia.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Lei dos Ciclos


Esta imagem de uma serpente que morde a própria cauda (Ouroboros) era no livros de alquimia o símbolo dos ciclos, das coisas que emendam um final e recomeço.

Na natureza tudo tem ciclos, até as civilizações, e psicologicamente a vida do homem tambem tem ciclos de produtividade, de relacionamentos, profissionais, etc.
Aquele ditado antigo que dizia " não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe" refletia as posições de cima e de baixo dos ciclos.
Enxergar os ciclos em nossa própria vida não é facil, mas é terapeutico. Permite entender porque de repente não deu certo um relacionamento ( há que se combinar os ciclos de 2 vidas), ou porque às vezes atingimos objetivos e não sentimos nada além de um vazio... que já está gerando um novo ciclo de busca. Os ciclos profissionais e emocionais trazem desafios e crescimento.
O mais difícil de todos é o ciclo da saúde... lembrar-se de que aos 20 se podia fazer tudo, comer tudo, esperar tudo e ver depois de 50 anos que se tem mais limitações do que diversões físicas é complicado. O espelho, implacável, mostra sinais do tempo e de proximidade de um final de ciclo, a vontade já não é a mesma, nem a memória...
Um escritor e orador romano, Cícero, descreveu à perfeição esta fase de vida no magnífico " Saber Envelhecer" : Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons. É portanto ao caráter de cada um, e não à velhice propriamente, que devemos imputar as lamentações. Os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a velhice, ao passo que a acrimônia, o temperamento triste e a rabugice são deploráveis em qualquer idade.”
A vida na Terra tem ciclos hoje reconhecidos como Eras antigas, onde o clima e as criaturas viventes eram completamente diferentes dos de hoje. Precisamos olhar com cuidado os ciclos da Terra, para escapar à visão alarmista e de fundo comercial que fazem do aquecimento global. A moda é por a culpa de tudo no CO2 produzido por atividades humanas, e se criou um cultura e uma economia toda baseada neste alerta, sem olhar para trás e analisar ciclos passados. Quando os vikings colonizaram a Groenlândia, ela era uma terra quente, de clima subtropical, eles formaram fazendas e criaram animais onde hoje só existe gelo, e nesta época havia no ar bem menos CO2 do que hoje. No século XVI houve uma pequena era glacial, se podia caminhar de manhatan até onde hoje está a Estátua da Liberdade pelo rio Hudson e mar congelados, e na Europa se podia andar da Normandia até a costa britânica sobre o gelo... neste período, havia cerca de 4 vezes o teor de CO2 existente hoje na atmosfera. A Terra tem ciclos que oscilam calor e frio, e podem ser simplesmente... normais! É válido reciclar, reutilizar e reduzir para evitar intensificação dos problemas, mas os ciclos da Terra não vão deixar de existir!
Uma pessoa que tem noção dos ciclos é capaz de ver a própria vida com menos desgaste e mais possibilidades, e de ver quando estão exagerando sobre um problema que vai passar, ou é natural que aconteça. Reconhecer e aceitar os ciclos é um daqueles casos em que o conhecimento liberta. Querer remar contra a corrente dos ciclos pode até dar certo após muito desgaste, mas não por muito tempo. Um dos presentes que a idade traz é poder olhar posições e atitudes que tomamos décadas atrás e ver depois de vários ciclos que os problemas desvaneceram, as angústias eram infundadas e alguns dos valores que nos sacrificaram eram até ridículos.
Um trecho sublime de Sidharta (Hermann Hesse) resume bem o ciclo da vida:
" Bem, pensou ele, visto que todas as coisas passageiras fugiram de mim, estou outra vez sob a luz do sol, tal como certa vez, quando era criança: nada é meu, nada posso fazer, não tenho nada e nada aprendi. Como isso é admirável!
Agora que meus cabelos estão ficando grisalhos e que as forças me abandonam gradativamente, começo tudo outra vez, como uma criança!
Sorriu outra vez... sua vida ia se aproximando do fim, e eis que estava outra vez diante do mundo, vazio, nu e tolo. Mas não sofria com isso, sentia até mesmo um grande desejo de rir de si mesmo e de todo esse mundo louco."