quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

aves de rapina






As aves de rapina sempre foram respeitadas entre os homens, desde o Egito antigo onde o falcão Horus com sua visão poderosa representava o poder do deus que tudo vê, até os livros de falcoaria da Idade Media que se assemelham a tratados filosoficos pela propria natureza das aves estudadas.
Elas são pouco numerosas se comparadas a outras espécies, vivem em geral de modo solitario e isolado em lugares inacessiveis, e teem caracteristicas fisicas incomuns que as capacitam a fazer proezas lendarias como mergulhos a 180km/hora que parariam o coração de qualquer outro ser vivo, enxergar com precisão de 2km de altura,  e liberdade, meu Deus, a liberdade de poder voar assim tão alto e tão longe, poder ir para lugares onde ninguem chega e ficar lá observando o mundo girar. 
Um ás da Primeira Guerra mundial tinha uma águia pintada em seu aeroplano onde se lia Je Vois Tout (cara, voar sem paraquedas num troço feito de madeira e lona com um motorzinho de mobilete é coisa de ÁS, depois disso ninguem mais devia aspirar ao titulo).

É claro que sua capacidade de predadores eficientissimos e implacaveis tambem fez com que fossem mencionados como exemplos de ladrões, assassinos,  impiedosos, esquisitos.  Porque os homens teem a natureza de se enxergar em todo o resto do mundo, não importa para onde olhem estão sempre vendo somente a si mesmos. (acho que se chama Filosofia, isso)

Esta dualidade intrinseca aos seres vivos, que tanto pode fazer deles maravilhas quanto demonios,  intriga e deslumbra mais aos homens porque serve de alerta sobre sua propria natureza.
A natureza é essencialmente dual e polarizada, nenhum ser vivo é totalmente bom ou mal, e nenhum deles é descartável dentro do contexto complexo do inter-relacionamento ecológico.  Mesmo as cobras venenosas têm sua serventia e importancia no habitat.  Até as aguas vivas e os leitores de Caras.
A ambição que faz um homem voar mais alto e ver de cima as coisas e ter o poder de rapinar para sobreviver, tambem faz com que possa se tornar um assassino implacavel de sonhos e esperanças de outras pessoas.
Alguns nascem com uma capacidade de visão mais acurada, de percepção da inteção do movimento antes que ele mesmo aconteça... e principalmente, a capacidade de ver a imagem ampla, the big picture, outros nascem com capacidades físicas semelhantes ao coração da águia mergulhadora.
Se eles vão usar isso para rapinar, é uma escolha.  É na escolha que está a maravilha das aves de rapina, porque apesar de ter todas as capacidades imagináveis, elas só matam o suficiente para sobreviver, e uma vez seguras e alimentadas só ficam ali, observando o mundo girar.
Esta é a grande mística que eles exercem sobre os homens: a imagem da serenidade de uma criatura que tem tanto poder mas sabe como e quando usa-lo, só na medida necessária.
Je vois tout, mas  o que sei guardo para mim. A grande águia, alimentada, pousada, apenas observando, e exercendo aquela aura de poder contido, de perfeição.

Há uma frase num livro de Anne Rice, Entrevista com o Vampiro, que define a escolha de uma criatura de rapina:
" People who ceased to believe in God or goodness althogheter still believe in the devil. I dont know why...
No, indeed I know why. Evil is always possible. And goodness is eternally difficult."
(Pessoas que desistiram de acreditar em Deus ou na bondade de uma vez continuam acreditando no demonio. Eu não sei porque. Não, na verdade eu sei porque. O mal é sempre possivel. O bem é eternamente difícil."

Há lugares que concentram estas aves, lugares de poder.
Mas é sempre bom lembrar que todos eles nasceram fracos e implumes de um ovo, e passam anualmente por uma troca de penas que os prende vulneraveis ao chão, e à opinião pública.

Viver dentro da natureza é como viver em sociedade, é preciso entender que todos têem 2 lados, e todos têem um papel a cumprir, mesmo que seja apenas encher o saco de todo mundo em volta, ou voar e ficar olhando as coisas de uma distancia segura.
Mas que tem hora que dá vontade de ter uma boa espingarda, isso dá.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

She

do fundo do bau....

Charles Aznavour ouça aqui
 e aqui com tradução


"She maybe the face I can't forget

A trace of pleasure or regret

Maybe my treasure or the price

I have to pay

She maybe the song that summer sings

Maybe the chill that autumn brings

Maybe a hundred different things

Within a measure of a day

She maybe the beauty or the beast

Maybe the famine or the feast

May turn each day into a heaven

Or a hell

She meaybe the mirror of my dream

She meaybe the mirror of my dream

A smile reflected in a stream

She may not be what she may seem

Inside her shell

She who always seems so happy in a crowd

Whose eyes can be so private and so proud

No-one's allowed to see them

When they cry

She maybe the love that cannot hope to last

May come to me from shadows of the past

That I remember till

The day I die

She maybe the reason I survive

The why and wherefore I'm alive

The one I'll care for through the

Rough and rainy years

Me I'll take her laughter and her tears

And make them all my souvenirs

For where she goes I've got to be

The meaning of my life is she she mm
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domingo, 23 de janeiro de 2011

não acredite em tudo que lê

foto do blog do astrologo Ivan Freitas


amigos, muitos já me escreveram sobre esta polemica do 13º signo, então reuni algumas informações que repasso a voces.

Sempre houve esta constelação de Ophiucus na linha que percorre o caminho de onde se tirou o zodiaco, e varias outras constelações estão tambem ali de forma parcial, o que acontece é que signos NÃO SÃO CONSTELAÇÕES, e mesmo na antiguidade os astrologos sabiam que nem todas as constelações estariam representadas no zodiaco astrologico, porque ele só precisavam de 12. Da mesma forma tem nesta faixa a constelação de Cetus, mas na sociedade hedonista em que vivemos quem iria querer ser do signo de baleia?

Astrologia é uma matéria ( cuja denominação correta seria paraciencia, porque embora não tenha forma de ser comprovada metricamente tem um corpo de conhecimento coerente, que evoluiu durante 3000 anos e que continua eficiente mesmo com as mudanças da civilização durante este periodo), que usa o simbolismo para traduzir o homem, coloca o homem e a Terra no centro (portanto é geocentrica, nada a ver com a astronomia real), e usa um zodiaco chamado de tropical, que NÃO CORRESPONDE ÀS CONSTELAÇÕES físicas existentes no céu, ele foi matematicamente dividido em 12 partes iguais (as constelações ao redor da Terra não estão todas à mesma distancia do planeta, nem teem todas o mesmo tamanho) e os signos foram denominados de acordo com algumas constelações por conveniencia, numa época em que elas se apresentavam no céu (depois de 2500 anos se constatou que elas se deslocaram devagar, e hoje não estão mais no ponto em que foram usadas para definir o zodiaco tropical), nos pontos chave do ano terrestre correspondentes a estas 12 divisões. Existem formas de astrologia chamadas de siderais que, estas sim, trabalham com o céu como se apresenta sobre suas cabeças neste momento, a indiana é uma delas.

Portanto, os signos foram relacionados com as estações da Terra e o homem, por exemplo 0 graus de Áries é o Equinocio de Primavera, que naquela época no ceu correspondia ao aparecimento da constelação do carneiro, mas o signo de Áries não é a constelação, ele permanece funcionando normalmente em termos de tecnica astrologica porque o equinocio de primavera e as forças associadas à primavera continuam retratando o SIGNO de Áries, simplesmente porque todos somos pequenos átomos nadando na sopa do Universo, sob as mesmas marés e forças que atuam sobre o todo. Isto tambem explica porque o Signo de Áries que ocorre aqui no hemisferio sul no equinocio de Outono mantem suas caracteristicas de força do começo da vida da Primavera, porque não é uma questão geografica, é SIMBOLICA.

A revista Veja tem descido muito de nível nos ultimos anos, e passa por uma crise de confiabilidade internacional, tendo sido processada pela Scientific American devido à copia integral de varios artigos sem citar a fonte. (o que voces podem constatar aqui no blog do Luis Nassif http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/veja-e-acusada-de-plagiar-scientific-american

 Pelo visto o costume da cópia continua, como voces podem ver pelas capas da revista da Folha de 1995 e da Veja desta semana. Eles precisavam de um artigo que fosse "cientifico" original, e entrevistaram nas 2 semanas anteriores 8 professores da USP (que informaram a diferença entre o conceito de signo, constelação, evolução da astronomia, erros de tradução de textos antigos, etc, sem endossar a Astrologia mas tambem sem endossar este engano de interpretação) e o diretor técnico da Central Nacional de Astrologia. Como todas estas pessoas deram informações que iam contra a visão pré decidida da reportagem que pretendia ser "puramente cientifica", foram excluídas do texto final, eles usaram apenas uma frase do Quiroga fora de contexto.

Este astronomo americano que "ressuscitou" este assunto na midia depois de 15 anos tambem é um palhaço que deve estar sem serviço, porque ele fala em tom sensacionalista como se ele tivesse feito uma descoberta inedita que vai mudar todos os parametros de uma materia que tem funcionado muito bem diariamente nos ultimos 2500 anos. Naquela época, até o Fantastico fez reportagens sobre isso, então voces podem esperar novas versões destas materias sensacionalistas em breve na TV, mas geeente, estamos num país que levou o Big Brother para o 11º ano!

Aqui está o link para o site do Alexey, diretor tecnico da CNA, que foi um dos entrevistados que não foi citado:
http://devir.wordpress.com/2011/01/22/a-guerra-nas-entrelinhas/

Olha, eu uso Astrologia com moderação e com boa formação tecnica, cultural e uma razoavel inteligencia, estudei astrologia na melhor escola que havia disponivel, mas é importante salientar que minha formação original é tecnica, eu fui motivada no inicio a estudar astrologia porque DUVIDAVA que funcionasse... e acabei convencida diante dos resultados, não da metodologia ou da linguagem especifica ( que tem sido muito criticada depois desta maldita "Nova Era", onde misturar alhos com bugalhos se tornou a sopa de todo dia). Gente como Newton, Kepler, Eisntein e Jung, muito mais espertos do que eu, acreditavam no potencial dela.

Nunca forcei nenhum amigo a engolir isso se não fosse do agrado dele, nem sou xiíta de dizer que ela funciona 100% do tempo precisamente, mas todo dia tem alguem que me liga ou me escreve me dizendo que funciona, e que de alguma forma a informação que ela proporcionou ajudou em alguma coisa, é o que me basta, se com ela eu posso fazer uma coisa positiva, mantendo a humildade de saber que eu não sou onisciente nem estou completamente certa o tempo todo.

Ela é uma ferramenta, não uma religião, ela não pede que niguem acredite cegamente em dogmas nem que elimine seu raciocinio logico para usa-la, a pessoa acaba acreditando porque ve que funciona e ponto. Simples assim.

É claro que há pessoas mal intencionadas, que sabendo da eficácia se postam numa situação de Deus onisciente que tudo prevê e a quem todos deveriam se curvar, mas eles são idiotas, e tem idiotas em todos os ramos de conhecimento da Terra.

Magnetismo funciona, existe, pode até ser medido, mas até hoje ninguem provou com precisão o que ele realmente é, nem sua fonte.

No ano passado a Veja no dia dos namorados publicou uma espinafração da Astrologia chamando os praticantes profissionais de 171 e os usuarios de despreparados, usando uma entrevista com uma daquelas cartomantes de bairro de SP que se INTITULA astróloga. Astrologia leva anos para ser aprendida, requer estudo, cultura, e sobretudo tecnica.
 No artigo desta semana elevaram o nivel da critica aos usuarios chamando um psiquiatra para declarar que estas pessoas tão frageis precisam de qualquer tipo de muleta e não teem condições de avaliar que estão sendo enganadas, e chamando os astrologos profissionais de "bem pagos do ramo da leitura dos astros, que tranquilizam a galera dizendo nada vai mudar..." como se fossem estelionatarios.
Isto caracteriza uma visão editorial dirigida, que ao inves de prezar pela seriedade e apuração da informação quer doutrinar os leitores numa campanha descarada que cheira a Inquisição religiosa.

Nenhuma das pessoas que me pede alguma opinião ou leitura astrologica se enquadra na categoria de paciente psiquiatrico, e a grande maioria delas tem titulos universitarios, e portanto condições de sobra para discernir que estão recebendo uma informação de nivel simbólico, que pode ter multiplas interpretações e multiplos niveis de efeitos.

Ultimamente eu tenho praticado pouco esta arte, não mais profissionalmente nem ensinando, mas é uma questão de foro intimo, não de falta de convicção nem de respeito por ela.

o que me irrita mais é que eu tive que comprar a Veja para poder ter acesso ao conteudo do "artigo"!!!! vai forrar o banheiro do gato....

bom, desculpem o desabafo
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aqui tem um texto ótimo do astrologo portugues Nuno Michaels sobre esta celeuma.

e aqui segue colado um texto muito tecnico e explicativo do grande Carlos Hollanda sobre a mesma irritação:

"Nesta última semana, seis pessoas me enviaram e-mails perguntando sobre a mais nova notícia sensacionalista - e acrescento: falsa - que vem correndo na mídia sobre a suposta "descoberta" de um novo signo, entre Escorpião e Sagitário. Como essas seis, várias outras pessoas podem estar com a mesma dúvida e assim como respondi às primeiras com algumas explicações com base histórica, aqui faço o mesmo com o acréscimo de outros dados. Infelizmente isso que podemos tranquilamente chamar de boataria e sensacionalismo barato nos dá um certo trabalho de esclarecimento. É uma perda de tempo por um lado, rebatendo inverdades a respeito da prática e das concepções astrológicas, mas por outro é uma oportunidade de ressurgirmos no mainstream das mídias. O grande problema aqui é que esse esclarecimento já havia sido feito há mais de 15 anos, como veremos adiante, sobre A MESMA QUESTÃO. Repetir a dose dessas informações sem qualquer fundamento é um verdadeiro deboche para com o público telespectador e leitor.


Prezados, essa história do décimo terceiro signo, creiam, é mais velha que a bisavó do Ptolomeu. Inventaram agora que um astrônomo estadunidense, Parke Kunkle,"descobriu recentemente" o Esculápio ou Ophiuco (Serpentário), que é uma constelação cuja extensão ocorre bem próxima da eclítica, o caminho aparente do Sol, que corresponde à faixa do Zodíaco. Acontece que Kunkle não pode ter descoberto isso agora porque isso já se sabe há muito tempo. Já afirmei acima: essa falsa polêmica há mais ou menos uns 15 ou 16 anos já tinha sido propagada em jornais, revistas e TV's. Aqui no Brasil, entre outros programas, a questão fora vista até mesmo numa audiência como a do Fantástico ou do Globo Repórter.

Uma baboseira que não considera que o zodíaco utilizado pelos astrólogos ocidentais é o zodíaco tropical, o que é concebido segundo as estações do ano em conformidade com o hemisfério norte, onde esse simbolismo se originou. O zodíaco tropical difere grandemente do zodíaco sideral, o das constelações, sendo que um e outro só coincidiram em parte cerca de dois mil anos antes da era comum e mesmo assim, como disse, não totalmente: o tamanho das constelações e dos signos nunca foram os mesmos, nunca houve uma equiparação total entre uma coisa e outra desde as primeiras concepções do zodíaco astrológico, excetuando-se os nomes das constelações que entre outros atributos, tinham algumas estrelas que serviam de referência para a mudança das estações e seu decorrer.

O zodíaco tropical é construído matemática e arbitrariamente de forma a ajustar-se a calendários como os caldaicos, sumerianos e egípcios, com seus 360 dias e 5 dias que miticamente se atribuíam ao influxo dos deuses no mundo criado (veja bibliografia ao final). Esses 360 dias são divididos por 12 em função de alguns princípios fundamentais, entre eles:
a) o ingresso de uma estação do ano, seu ponto culminante e sua transição para a estação seguinte, o que caracteriza uma divisão da estação em três períodos. São 4 estações, cada uma possuindo 3 períodos de um mês, resultando em 12 períodos de tempo divididos igualmente. A origem dessa divisão equânime obedece a uma concepção de universo e meio ambiente que parte dos sumerianos e de outros povos a eles próximos no tempo, cujas sociedades desenvolveram-se até atingir as chamadas "cidades-estado-hieráticas". Estas sociedades não apenas herdaram do paleo e do neolítico muitas práticas de sobrevivência e convivência, como sistematizaram e deram complexidade às concepções do sagrado. Assim, o universo é concebido por esses povos como uma espécie de manifestação da ordem divina sobre o caos, um elemento de inteligibilidade que permite, isomorficamente (por analogia), organizar a vida concreta abaixo do céu.

b) o próprio processo de formação desse zodíaco das estações do ano, que entre os sumérios obedece ao sistema sexagesimal por eles desenvolvido para calcular a passagem do tempo e, de certa forma, comungar com os deuses naquele período das primeiras produções escritas em cuneiforme. O dia de 24 horas é um múltiplo de 6 (6 X 4), enquanto a hora, com 60 minutos e tudo o que dali decorre pertence a essa concepção. A divisão por 12 do zodíaco provém dali, com seis eixos interdependentes marcados pelos signos e suas polaridades. Os gregos sistematizaram ainda mais o sistema de divisão do céu cujos princípios herdaram daquelas primeiras visões. Nota-se claramente uma contribuição do pensamento pitagórico na geometria e na divisão exata de 30 graus para cada signo, encaixando-os numa perfeita circunferência, que no final é uma forma de representação do infinito e de muitas considerações acerca de uma consciência divina.

Desse modo, a inclusão de um novo signo não possui a menor pertinência para esse modelo, que perderia todo e qualquer sentido na relação do ser humano e seu ambiente com o universo percebido. Mas é precisamente isso o que tal tipo de falsa descoberta quer incutir na mentalidade do leitor. Ora, a constelação do Esculápio, também conhecida como Ophiuco (o serpentário), já era conhecida dos astrólogos-astrônomos há milênios. Claudio Ptolomeu, que viveu no século II da era comum, e cujas obras, como o Tetrabiblos e o Almagesto, nortearam a astronomia até Copérnico, obviamente conhecia essa constelação, tanto que a incluiu, e às estrelas que a formam, em suas obras. Entretanto ele mantém a divisão hierática do céu zodiacal, mantendo Ophiuco junto às constelações não-zodiacais, até porque de fato apesar da proximidade e de uma parcela dessa constelação chegar a tocar a eclítica, grande parte dela está fora do "caminho do sol".
Sendo assim, as reportagens e o astrônomo que diz ter "descoberto" essa suposta "falha" no sistema astrológico estão completamente equivocados quanto ao próprio sistema astrológico e seu processo formador, sua lógica interna, sua linguagem, entre tantas outras características próprias da astrologia. Ao se tomarem por precisos e rigorosos com o modelo científico, estão, ao contrário, sendo totalmente a-científicos ao julgarem de antemão um tema que parecem desconhecer por completo.

Enfim, é como um geógrafo dizer para um médico que se ele não usar os conceitos geográficos sobre clima para curar um paciente epilético, jamais terá sucesso. Em outras palavras, não tem nada a ver.
Alguns astrônomos (não todos) parecem também querer assumir uma postura de deuses com tudo isso. Suas palavras seriam leis no sentido cósmico, que alteram processos conhecidos e fazem "deixar de funcionar" aquilo que decretam. Dúvidas muito semelhantes foram difundidas com a alteração da classificação de Plutão. Teve gente que achava que tinha que retirar tudo o que fora dito pelo astrólogo a respeito de Plutão porque os astrônomos decidiram que ele não era mais planeta. Com a retomada dessa velha e, repito, falsa polêmica, é mais ou menos a mesma coisa: os sujeitos só querem desacreditar astrólogos e tudo o mais, confundindo as estações. Nossa... que poder divino tem esse astrônomo...! Se for assim mesmo ele deveria candidatar-se a fundar uma nova religião, já que deve ser Deus ou algo parecido...


Seguem, abaixo, duas referências bibliográficas interessantes a respeito e de bem fácil aquisição:

CAMPBELL, Joseph. As máscaras de Deus v. 2 e 3. São Paulo: Palas Athena, 2010.
STUCKRAD, Kocku von. História da astrologia: da Antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Globo, 2007


Carlos Hollanda"
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

de poeta e de louco...

Neste fim de ano uma amiga me mandou um livro que reune poesias de Carlos Drummond de Andrade.
Livros de poesia são estranhos, amados ou odiados, reservados para momentos de calma que são cada vez mais raros, prenhes de reflexão e ruminação posterior para serem bem aproveitados, muitas vezes acabam criando poeira na estante até que o tão específico estado de espírito se apresente. Tem outros livrinhos sortudos que viram companheiros de bolsa, de caminhada, cheios de orelhas e marcas que são a medida da apreciação, rugas de expressão em papel. E o poeta vive entre o empoeirado incompreendido e o amado indispensavel, gelo e fogo como no poema de Frost abaixo.
Eu creio que nem todos gostam de poesia porque poucos pensam em termos de poesia, poucos avaliam o quão fragil e forte um Hai Kai é ao mesmo tempo, e a linha sutil que existe entre a descrição de um momento e o retrato completo dele em poucas palavras que ficam marcadas na gente.

" Quando lhe falta o demonio e Deus não o socorre;
quando o homem é apenas homem
por si mesmo limitado,
em si mesmo refletido;
e flutua
vazio de julgamento
no espaço sem raízes;
e perde o eco
de seu passado,
a companhia de seu presente
a semente de seu futuro;
quando está propriamente nu;
e o jogo, feito
até a ultima cartada da jogada.
Quando. Quando." Carlos Drummond de Andrade

"Some say the world will end in fire
Some say in ice.
From what I have tasted of desire
I hold with those who favor fire,
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great,
And would suffice."  Robert Frost

(alguns dizem que o mundo vai terminar em fogo
alguns em gelo
pelo que já vi do desejo
concordo com aqueles que votam no fogo
mas se tivesse que perecer duas vezes
penso que sei bastante sobre o ódio
para dizer que para destruir o gelo tambem é otimo
e suficiente.)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

a maldição do celular

Eles estão em toda parte, celulares em mãos que não teem educação  nem bom senso, e muito menos assunto interessante. Pessoas que não teem noção de que há assuntos que não são proprios para ambientes abertos, publicos, e nem mesmo para se conversar na frente dos clientes de uma loja.

Voce pega um onibus para São Paulo e do seu lado senta uma peruazinha que fala no telefone 1 hora e meia, alto, espaçosa, dá risadas.  Eu lá quero saber o que o namorado dela fez no natal passado? eu lá quero saber o que a inimiga dela da faculdade disse?  e lá vou eu, mergulhada na pequenez do cerebro e da cultura dela, presa, sem poder sair, sem poder gritar, tento dormir e fechar os olhos mas é impossivel.
A contaminação dura horas, a irritação dias.

Voce senta no restaurante e o cara da mesa ao lado atende o telefone aos gritos, dá ordens sobre pegar pedidos, despachar pedidos, cobrar, e tudo mais que lhe vier à cabeça. As pessoas que estavam almoçando em paz, conversando em tom baixo, se calam, e se contaminam com a conversa dele, o humor azeda geral.

Voce vai ao provador da loja e a mocinha que atende ali está conversando com outra mocinha, nem olha na sua cara, sem interromper o assunto  interessantissimo....  voce prova as roupas ainda participando do assunto, e na saída ela pega as coisas automaticamente, porque o assunto ainda está rendendo.
No transporte publico voce tem direito a varias fontes de conversas interessantissimas, o sindico que rouba dinheiro do predio e troca de carro todo ano, o cunhado que vem filar boia no fim de semana e não traz nada... voce acaba saindo do onibus sabendo de detalhes intimos de pessoas que preferia que nunca existissem.

Sala de espera de consultorio medico eu já abandonei há muito tempo, porque ali, alem de tudo, existe a competição de doenças... ah eu já operei 6 vezes....ah, o meu era muito mais grave.... então geralmente eu espero do lado de fora.

Eu sei que sou meio eremita, mas tem horas em que eu desejaria muito estar sozinha, ou pelo menos ser cercada de inergúmenos que fossem MUDOS. 
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

imprinting


Este termo tem estado entre as buscas do google e yahoo.answers ultimamente devido a um filme  que trata de um grupo de nativos americanos da tribo Quileute que descobre que tem o poder genetico de desenvolver o shapeshifting, ou seja, assumir formas de animais (lobos, no caso) para defender sua reserva em caso de perigo. No filme estenderam o comportamento de autoridade do macho alfa e de imprinting de casamento dos lobos à sociedade humana da reserva, gerando situações curiosas. Na cultura shamanica, o lobo representa a lealdade, a durabilidade e a força, muito provavelmente devido ao fenomeno do imprinting de casamento e de organização social.

A tradução aproximada do termo ingles imprinting seria "gravação", uma coisa que está gravada em nossa herança genetica, antigamente chamada genericamente de "instinto", e que assume o controle em situações e fases especificas, predispondo a comportamentos que visam preservar a sobrevivencia da especie.

Existe uma confusão entre o termo imprinting genômico, que diz respeito exclusivamente a genetica, e o behavioral imprinting, que é um comportamento adquirido devido a uma memoria hereditaria de fundo, que foi desenvolvida atraves dos tempos para proteger a continuidade da espécie e manter seleção natural com saldo positivo de evolução.
O chamado imprinting genômico ou parental, em que certos genes são expressos apenas por um alelo sobrepondo-se ao outro,  permite que apenas um dos pais transmita uma certa caracterisitca, como se fosse uma reprodução quase unilateral ou unicelular.

Entre homens e animais, tipos diferentes de imprinting acontecem em fases diferentes da vida, pontos criticos da sobrevivencia, como o imprinting filial  (identificar a figura materna, procurar proteção, contato físico e alimentação nela), o imprinting fraternal (identificar os seus irmãos, o grupo que tem a mesma origem e que deve ser mantido coeso para proteção mas não serve para procriação),  o imprinting de casamento (que busca um melhor parceiro em temos de continuidade genetica e organização social), e o famoso "relogio biologico", o imprinting de maternidade que move mulheres a quererem ter filhos e a adoções inter especies nos animais.

No caso dos lobos, o imprinting comportamental (behavioral) é responsavel pelo desenvolvimento social complexo das matilhas e pelo sucesso da seleção natural de linhagens cada vez mais eficientes enquanto caçadores, mantenedores de territorio, reprodutores de alta qualidade genetica e sobrevivencia da espécie. Apenas os lobos apresentam tal nível de especialização social, outros canideos como coyotes, cães e lobos guará mantem o grupo apenas entre mãe e filhotes, e durante algum tempo.
O imprinting de casamento é visto na seleção entre casais permanentes (parceiros de vida toda), uma especie de amor à primeira vista altamente apelativo. No fundo de memoria herdada ( que tem componentes geneticos pois envolve caracteristicas fisicas e ferormonios)  transmitida para a sobreviencia da especie se nota nuances muito mais complexas neste comportamento, por exemplo, o macho alfa nunca terá um imprinting de casamento com uma descendente genetica parente dos seus rivais ( imprinting reverso).
Isto faz com que ao se tornarem adultos, os machos que têm a genetica de alfa lutem entre si, e perdendo a competição pela liderança eles saiam da matilha para fundar outra, mantendo as linhagens geneticas da especie sem consanguinidade e altamente selecionadas, em constante competição pela liderança que por sua vez tambem define melhores possibilidades de sobrevivencia da especie.  Isto faz com que os lobos sejam os unicos carnivoros de vida grupal que têm mais de um macho adulto no grupo cooperando entre si, porque os que ficam automaticamente assumeme posições na hierarquia que não desafiem o alfa, e isto lhes permite um tipo de trabalho em grupo na hora de caçar que beira a telepatia, porque eles montam armadilhas muito complexas para onde dirigem a presa.
O elo entre o casal alfa é tão poderoso que mesmo após a morte do macho a fêmea ainda mantem sua posição hierarquica no grupo, que não será esquecida ainda que um novo casal alfa assuma a liderança da matilha, e proverá seus filhotes de proteção contra agressões do novo macho alfa,  e essa complexidade social faz com que os lobos tenham um nivel de ocupação de territorio e de evolução diferenciados entre os outros habitantes das florestas temperadas. Só para entender a diferença em termos de sociedade, no casos de grandes felinos por exemplo, só há um macho por grupo e quando a liderança é substituida ele mata todos os filhotes do seu antecessor.

O imprinting existe entre homens e animais, o cientista Konrad Lorenz demonstrou nos anos 70 que filhotes de patos que nunca tivessem visto a figura da mãe se apegariam à figura da primeira criatura ou objeto que vissem ao nascer (imprintig filial), e a seguiriam em fila e se anihariam ao redor dela como fariam com a mãe. Ele demonstrou isso assumindo a "paternidade" de uma ninhada que o seguia andando e nadando onde fosse.  Houve um filme recente em que uma ninhada de patos migratorios foi ensinada a voar em formação V pelo seu criador num ultra leve, porque tiveram o imprintig da figura dele ao nascer. 
Femeas de varias especies podem adotar "filhos" de outras, devido ao poderoso imprinting de maternidade associado aos hormonios reprodutivos, já vi cadelas amamentarem gatinhos e uma porca amamentar uma ninhada de cães, e em ambos os casos os filhotes consideram as mães "estranhas" como sua mães reais para todos os efeitos de proteção, obediencia e conforto. O caso mais estranho foi de uma galinha que adotou 7 cãezinhos, visto que ela não pode amamenta-los nem tem tamanho suficiente para abraçar a todos.

Os criadores de cavalos usam o imprintig para tornar os animais mais manejáveis, considerando que os potros recem nascidos têm uma tendencia herdada comportamental de permitir o contato fisico da mãe, que o esfrega com o nariz, os criadores passam a escovar o corpo todo dos potros diariamente, para eliminar o que chamam de "cócega", um tipo de reflexo que faz um cavalo não acostumado ao contato fisico escoicear qualquer coisa que o toque e não aceitar a sela de montaria em contato com seu corpo.

No grupo humano, situações de imprinting envolvem o "amor à primeira vista", casos raros, mas eventualmente observados, que correspondem ao poderoso apelo do imprintig de casamento dos lobos.
O mesmo imprinting reverso dos lobos tambem acontece entre humanos, como foi comprovado num estudo estatistico de gerações de crianças criadas em kibutz em Israel.  No kibutz as crianças de uma determinada idade são criadas numa mesma casa, como irmãos, sem contato diario com seus pais especificos. Isto acaba criando uma forma de imprinting de irmandade, que por seleção de memorias herdadas anula o interesse sexual de formação de parceiros ( porque a consanguinidade é um poderoso agente deteriorador de uma especie, e ameça a sua sobrevivencia), e se constatou que menos de 1% destas crianças se casa no futuro com algum dos seus "irmãos comunais".

O imprinting de casamento é muito poderoso tambem na organização social dos homens, é fato que um homem ou mulher bonitos atraem mais parceiros ( preservação da forma fisica da especie),  e tambem que pessoas bem sucedidas ou talentosas tambem atraem mais parceiros, terão mais chances de se reproduzir e transmitir estas qualidades.  A propria caracterisitca casadoura e fiel das mulheres se desenvolveu ao longo de milhares de anos  para preservar a proteção e criação dos filhos e do territorio, enquanto que a caracteristica  inconstante dos homens cumpre a função de transmitir o codigo genetico a um numero maior de parceiras.  O modelo do carro que dirigem e sua posição social tambem parece exercer um efeito poderoso sobre os parceiros potenciais.


Isso explica MUIIIITA coisa.
Imprinting é tudo, e parece que tudo é imprinting.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

o tempo


...um paragrafo de leitura de ontem, que ficou como sobra do jantar no prato até hoje de manhã, e assim, frio, pode ser digerido.

"We all run on two clocks. One is the outside clock, which ticks away our decades and brings us ceaselessly to the dry season. The other is the inside clock, where you are your own timekeeper and determine your own chronology, your own internal weather and your own rate of living.
Sometimes the inner clock runs itself out long before the outer one, and you see a dead man going through the motions of living."
Author: Max Lerner 1902

numa tradução bem livre:

"Todos vivemos sob 2 relogios. Um é o relogio exterior, que marca a passagem de nossas décadas e nos traz sem perdão para o inverno.  O outro é o relogio interior, onde voce é seu próprio cronometro e determina sua cronologia, seu clima interior e sua taxa de vida.
Às vezes o relogio interior corre mais e termina antes do exterior, e voce pode ver um homem morto passando pelos momentos da vida."

God forbid!
Pessoas que por dentro já viveram tudo, desesperaram, e apenas cumprem pena de tempo aguardando a libertação...

Mas esta citação sobre os relogios interno e externo me interessou de uma outra forma, eu nunca havia encontrado antes uma outra explicação para um certo tipo de pessoa que sempre me deixou curiosa... são pessoas que parecem ser antigas, mesmo ainda novas.
É como se fossem livros velhos que estão em prateleiras novas, não sofrem as mesmas torturas dos adolescentes da sua idade, nem passam pelas mesmas maravilhas, tambem. 
Não perdem tempo com os  planos malucos e estéreis, nem com as distrações pueris, passam pela vida impavidos, com uma dignidade incongruente e intrigante, espectadores da nossa miséria.
Estes não são obviamente os mortos vivos citados pelo autor, mas pessoas que cuja sabedoria acumulada  os provê  de lentes que permitem enxergar mais adiante, mais fundo e com cores diferentes o mesmo mundo em que os outros vivem, talvez já sabendo que morrer não muda muita coisa.  Deve ser alguma coisa relacionada com programa de milhagem divina....


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