sábado, 26 de fevereiro de 2011

arte





















Mudanças no visual do blog... eu canso rápido.
Para quem ainda não foi apresentado, meu pintor favorito,
John William Waterhouse.
Eu queria muito um gato grande destes ronronando nos meus pés, e morar perto do mar.  Ter coragem de ser ruiva como as mulheres que ele pintava, e estar sempre cercada de rosas.

Arte é uma coisa engraçada, porque apesar dos inumeros níveis de apreciação, interpretação e classificação, em ultima instancia a obra fala ou não fala com o seu coração.   É perda de tempo racionalizar, analisar, avaliar, criticar.  Só importa o que se sente. O pintor Paul Klee disse que nós temos 2 olhos porque enquanto um vê o outro sente.
Acredito que as pessoas mudam durante a vida e seu gosto pode mudar tambem, mas de forma geral a arte que atinge seu coração profundamente sempre será a mesma, porque aquele cara da magia dos pinceis sabia quem voce era, e provavelmente ele era igualzinho a voce.  Ele via, sentia e interpretava o mundo, seculos atrás, exatamente como voce.   
 Outra coisa, o impacto do contato real.  A gente pode ter inumeras copias, arquivos digitais, reproduções, mas o impacto que acontece ao se ver de pé diante da tela e ver os sentido das pinceladas é inenerrável.  Para quem como eu acredita que existem forças sutis que se desprendem de nós e se fixam em locais e objetos, estar sentindo uma fração da emoção do artista é uma possibilidade. Nunca tive este prazer de um encontro imediato de segundo grau com Waterhouse, a obra dele está quase totalmente em coleções privadas.

Eu sou a favor de tentar entender as pessoas, de me colocar no lugar delas para entender seus gostos e ações, mas em termos de arte, a coisa é tão visceral que eu simplesmente não consigo. Não consigo apreciar arte abstrata, não consigo entender o que eles vêm nela. Cubistas, dadaistas, etc... nada que um comprimidinho de Haldol não resolva.

Consigo até perdoar e entender o egoismo de gente que pode comprar um quadro destes e te-lo em sua sala, simples assim, para ter o prazer de admira-lo quando quiser, desde que é claro seja por amor àquela obra específica. Sinceramente, espero que o inergumeno que tem a posse desta pintura se coloque em adoração na frente dela diariamente, consciente da dádiva que é te-la assim à disposição, e dê a ela um valor maior do que o comercial ou o status.

 
ok, vamos ver quanto tempo este look do blog vai durar.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quase

Às vezes eu leio o dicionario, aleatoriamente.
Coisa de louco.
Percepção.

Hai-kai  à parte, é um hábito interessante do tipo montanha russa, altos e baixos violentamnete alternados.
Voce passa no Q por quadrado, quadro... e de repente vê a hipnotizante QUASE.

QUASE é uma das palavras mais estranhas do nosso pensar, porque  uma lingua é o pensamento congelado pronto para viagem.

Se voce quase morreu, a experiencia de quase-morte provavelmente terá transformado voce em outra pessoa completamente diferente do que era... então é um quase do tipo metamorfose ( não necessáriamente evolucionario, porque conheci pessoas que depois disso se tornaram viciados e alcolatras, o peso deste quase não é para qualquer ombro).

Se voce quase conseguiu uma promoção existe alguma coisa fedendo no reino da Dinamarca, onde Hamlet quase foi rei.  Promoção é uma coisa que vem ou não vem nunca mais. É um quase fatal.

Quase chegar a tempo, quase pegar o avião, quase na hora.... estava quase lá...  sem comentarios, já era.

Quase completo,  pode jogar fora se for uma coleção, e socar o computador, se for um download.

 Já está Quase decidido... que piada de decisão é essa?

Quase curado.... suspense.

Quase feliz, quem vai querer?

Aí vem o quase que parece bom, o quase de quem escapou por  pouco.
Quase fui assaltado.... deu mole.
Quase fui atropelado... olha por onde anda!
Quase bateram no meu carro... precisa dois para dançar.
Quase morri afogado... idiotas e grandes águas são coisas que não se mistura.
Quase perdi meu filho no shopping... sem comentarios.
Existe um quase bom?

O pior tipo de quase é o que se comporta como assombração.... ele fica na sua cabeça para o resto da vida, e nunca chega a lugar nenhum , porque afinal é um quase.
Sonho quase realizado.
Vitoria quase conquistada.
Livro quase publicado.
Me sinto quase realizado.
Bebê que quase nasceu.
Quase amante.


Esta é em homenagem aos quase:  Almost lover

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

espelhos


... a imagem da Piazza San Marco é em homenagem ao filme o Turista, que acabei de assistir e quase morri de saudades de Veneza...
mas o que me chamou a atenção é o efeito espelho que a água cria  (para efeito deste interludio literario vamos esquecer que este filme dágua é a espada da extinção sobre  Veneza).

Acho que a mágica do espelho começou a hipnotizar os neandertais quando se viram no reflexo da água... e provavelmente acharam que os traços tortos do rosto eram apenas distorção da marola, os coitados.

Qual é exatamente o poder que conhecer a sua propria imagem dá ao homem?  O que o homem enxerga num espelho?  o que um espelho mostra ao homem, o que ele é ou os varios homens que ele gostaria de ser, como insiste Lacan?  

O espelho mágico da madrasta da Branca de Neve sabia de t-u-d-o, era um espelho onisciente.
O espelho mágico que serviu  para Alice entrar no Pais das Maravilhas era um portal, uma passagem para um mundo que já existia dentro dela mesma.
Outros espelhos fixaram emoções na literatura, como o espelho do quarto de Capitú, que se sabia de tudo nunca revelou o segredo..., o espelho dágua que hipnotizou Narciso na mitologia grega, ou o espelho que não consegue mostrar os vampiros na literatura gótica e serve como limite entre o mundo dos vivos e o dos mortos.

O impacto de ver sua propria imagem era tão avassalador que na antiguidade os espelhos foram associados à alma, depois ao mundo espiritual, de onde vieram os espelhos mágicos, que falavam de profecias e revelavam segredos e existe toda uma tradição de meditação diante do espelho, que tem efeitos profundos na personalidade dos individuos.

O espelho pode ser curioso, do tipo que insiste em ficar te observando... ou cômico, do tipo que distorce as formas. Pode ser cruel,  como aquele que mostra idade, ou  iluminado, como aquele que mostra a sabedoria tranquila. Pode se condescendente, como aquele que mostra o que voce quer ver, ou escravizante, quando mostra o quanto voce não se encaixa.   Pode ser irritante como o retrovisor.
Pode ser membro da familia, como aqueles grandes espelhos bisoteé do quarto das avós, que viram gerações seguidas de pessoas existirem, mas jazem vazios no canto de algum quarto ou deposito de moveis antigos. Esta imagem do espelho vazio abandonado é muito semelhante à imagem dos olhos velados de um cego, e me lembro que por aí se diz que os olhos são o espelho da alma.

O quanto cada um é dependente do espelho talvez diga muito sobre as pessoas... tem lugares onde até nos elevadores há espelhos, a pessoa sai do banheiro onde já se olhou bastante, passa pela sala e pelo quarto, onde confere mais algumas vezes, e quando vai para a garagem ainda pode conferir mais alguns minutos a propria imagem antes de se despedir de si mesma (agonia!) para enfrentar um dia de trabalho! 
Acho que há espelhos em toda parte e pessoas que param para  ver sua propria imagem neles.
Se enxergar é uma expressão com inumeros graus de significado.... quem é que realmente se vê ao olhar num espelho? e, em se enxergando, quem é que realmente se conhece?

Um detalhe importante é de que a imagem no espelho é invertida, e isso tambem tem significados multiplos. 
Leonardo da Vinci escreveu muitas paginas dos seus cadernos com escrita espelhada, talvez uma tentativa moderada de reter a privacidade do texto.  Ou talvez uma mostra de que tudo que lhe interessava era entender e espelhar a natureza e suas maravilhas.

Me lembro de ter visto em São Paulo um edifício cujo exterior era espelhado, refletindo o céu e as nuvens de forma que se  integrava ao céu como se fosse parte dele, conteudo e substancia, numa imagem contínua de céu e terra que deve ser a arquitetura mais perfeita que eu já vi.
Me lembro de ter visto na Praça da República, sob uma ponte oriental um espelho dágua verde escuro, onde provavelmente o menino Tetsuo do livro de José Mauro de Vasconcelos ficava olhando a própria imagem e as transformações que ela sofria conforme sua vida se esvaía.
Me lembro do meu canto na beira do rio, onde o verde claro da água do rio Paraitinga espelhava o céu e as nuvens criando uma imagem de estranha dinâmica, porque a água era corrrente e as nuvens tambem corriam no céu, a perfeição da impermanência na forma mais fiel como poderia ser retratada.
Acho que há espelhos em toda parte, e pessoas que param para observar o que eles revelam sobre o mundo à nossa volta.


O meu, infelizmente não me enxerga.  A imagem que ele mostra não chega às sombras da lady que o encara. Então, no fundo é isso, espelhos são burros.
Porque a verdade, mesmo, eles não mostram,  a imagem "real" que eles mostram é apenas mais uma ilusão, que deixa as pessoas que olham seguras, porque não precisam mais pensar nisso. Mesmo se me vejo feio, pelo menos estou me vendo, não sou um vampiro... 
A imagem que eles mostram é tão superficial quanto sua face fria,  e as pessoas só procuram enxergar dentro dela raramente.
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

aves de rapina






As aves de rapina sempre foram respeitadas entre os homens, desde o Egito antigo onde o falcão Horus com sua visão poderosa representava o poder do deus que tudo vê, até os livros de falcoaria da Idade Media que se assemelham a tratados filosoficos pela propria natureza das aves estudadas.
Elas são pouco numerosas se comparadas a outras espécies, vivem em geral de modo solitario e isolado em lugares inacessiveis, e teem caracteristicas fisicas incomuns que as capacitam a fazer proezas lendarias como mergulhos a 180km/hora que parariam o coração de qualquer outro ser vivo, enxergar com precisão de 2km de altura,  e liberdade, meu Deus, a liberdade de poder voar assim tão alto e tão longe, poder ir para lugares onde ninguem chega e ficar lá observando o mundo girar. 
Um ás da Primeira Guerra mundial tinha uma águia pintada em seu aeroplano onde se lia Je Vois Tout (cara, voar sem paraquedas num troço feito de madeira e lona com um motorzinho de mobilete é coisa de ÁS, depois disso ninguem mais devia aspirar ao titulo).

É claro que sua capacidade de predadores eficientissimos e implacaveis tambem fez com que fossem mencionados como exemplos de ladrões, assassinos,  impiedosos, esquisitos.  Porque os homens teem a natureza de se enxergar em todo o resto do mundo, não importa para onde olhem estão sempre vendo somente a si mesmos. (acho que se chama Filosofia, isso)

Esta dualidade intrinseca aos seres vivos, que tanto pode fazer deles maravilhas quanto demonios,  intriga e deslumbra mais aos homens porque serve de alerta sobre sua propria natureza.
A natureza é essencialmente dual e polarizada, nenhum ser vivo é totalmente bom ou mal, e nenhum deles é descartável dentro do contexto complexo do inter-relacionamento ecológico.  Mesmo as cobras venenosas têm sua serventia e importancia no habitat.  Até as aguas vivas e os leitores de Caras.
A ambição que faz um homem voar mais alto e ver de cima as coisas e ter o poder de rapinar para sobreviver, tambem faz com que possa se tornar um assassino implacavel de sonhos e esperanças de outras pessoas.
Alguns nascem com uma capacidade de visão mais acurada, de percepção da inteção do movimento antes que ele mesmo aconteça... e principalmente, a capacidade de ver a imagem ampla, the big picture, outros nascem com capacidades físicas semelhantes ao coração da águia mergulhadora.
Se eles vão usar isso para rapinar, é uma escolha.  É na escolha que está a maravilha das aves de rapina, porque apesar de ter todas as capacidades imagináveis, elas só matam o suficiente para sobreviver, e uma vez seguras e alimentadas só ficam ali, observando o mundo girar.
Esta é a grande mística que eles exercem sobre os homens: a imagem da serenidade de uma criatura que tem tanto poder mas sabe como e quando usa-lo, só na medida necessária.
Je vois tout, mas  o que sei guardo para mim. A grande águia, alimentada, pousada, apenas observando, e exercendo aquela aura de poder contido, de perfeição.

Há uma frase num livro de Anne Rice, Entrevista com o Vampiro, que define a escolha de uma criatura de rapina:
" People who ceased to believe in God or goodness althogheter still believe in the devil. I dont know why...
No, indeed I know why. Evil is always possible. And goodness is eternally difficult."
(Pessoas que desistiram de acreditar em Deus ou na bondade de uma vez continuam acreditando no demonio. Eu não sei porque. Não, na verdade eu sei porque. O mal é sempre possivel. O bem é eternamente difícil."

Há lugares que concentram estas aves, lugares de poder.
Mas é sempre bom lembrar que todos eles nasceram fracos e implumes de um ovo, e passam anualmente por uma troca de penas que os prende vulneraveis ao chão, e à opinião pública.

Viver dentro da natureza é como viver em sociedade, é preciso entender que todos têem 2 lados, e todos têem um papel a cumprir, mesmo que seja apenas encher o saco de todo mundo em volta, ou voar e ficar olhando as coisas de uma distancia segura.
Mas que tem hora que dá vontade de ter uma boa espingarda, isso dá.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

She

do fundo do bau....

Charles Aznavour ouça aqui
 e aqui com tradução


"She maybe the face I can't forget

A trace of pleasure or regret

Maybe my treasure or the price

I have to pay

She maybe the song that summer sings

Maybe the chill that autumn brings

Maybe a hundred different things

Within a measure of a day

She maybe the beauty or the beast

Maybe the famine or the feast

May turn each day into a heaven

Or a hell

She meaybe the mirror of my dream

She meaybe the mirror of my dream

A smile reflected in a stream

She may not be what she may seem

Inside her shell

She who always seems so happy in a crowd

Whose eyes can be so private and so proud

No-one's allowed to see them

When they cry

She maybe the love that cannot hope to last

May come to me from shadows of the past

That I remember till

The day I die

She maybe the reason I survive

The why and wherefore I'm alive

The one I'll care for through the

Rough and rainy years

Me I'll take her laughter and her tears

And make them all my souvenirs

For where she goes I've got to be

The meaning of my life is she she mm
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domingo, 23 de janeiro de 2011

não acredite em tudo que lê

foto do blog do astrologo Ivan Freitas


amigos, muitos já me escreveram sobre esta polemica do 13º signo, então reuni algumas informações que repasso a voces.

Sempre houve esta constelação de Ophiucus na linha que percorre o caminho de onde se tirou o zodiaco, e varias outras constelações estão tambem ali de forma parcial, o que acontece é que signos NÃO SÃO CONSTELAÇÕES, e mesmo na antiguidade os astrologos sabiam que nem todas as constelações estariam representadas no zodiaco astrologico, porque ele só precisavam de 12. Da mesma forma tem nesta faixa a constelação de Cetus, mas na sociedade hedonista em que vivemos quem iria querer ser do signo de baleia?

Astrologia é uma matéria ( cuja denominação correta seria paraciencia, porque embora não tenha forma de ser comprovada metricamente tem um corpo de conhecimento coerente, que evoluiu durante 3000 anos e que continua eficiente mesmo com as mudanças da civilização durante este periodo), que usa o simbolismo para traduzir o homem, coloca o homem e a Terra no centro (portanto é geocentrica, nada a ver com a astronomia real), e usa um zodiaco chamado de tropical, que NÃO CORRESPONDE ÀS CONSTELAÇÕES físicas existentes no céu, ele foi matematicamente dividido em 12 partes iguais (as constelações ao redor da Terra não estão todas à mesma distancia do planeta, nem teem todas o mesmo tamanho) e os signos foram denominados de acordo com algumas constelações por conveniencia, numa época em que elas se apresentavam no céu (depois de 2500 anos se constatou que elas se deslocaram devagar, e hoje não estão mais no ponto em que foram usadas para definir o zodiaco tropical), nos pontos chave do ano terrestre correspondentes a estas 12 divisões. Existem formas de astrologia chamadas de siderais que, estas sim, trabalham com o céu como se apresenta sobre suas cabeças neste momento, a indiana é uma delas.

Portanto, os signos foram relacionados com as estações da Terra e o homem, por exemplo 0 graus de Áries é o Equinocio de Primavera, que naquela época no ceu correspondia ao aparecimento da constelação do carneiro, mas o signo de Áries não é a constelação, ele permanece funcionando normalmente em termos de tecnica astrologica porque o equinocio de primavera e as forças associadas à primavera continuam retratando o SIGNO de Áries, simplesmente porque todos somos pequenos átomos nadando na sopa do Universo, sob as mesmas marés e forças que atuam sobre o todo. Isto tambem explica porque o Signo de Áries que ocorre aqui no hemisferio sul no equinocio de Outono mantem suas caracteristicas de força do começo da vida da Primavera, porque não é uma questão geografica, é SIMBOLICA.

A revista Veja tem descido muito de nível nos ultimos anos, e passa por uma crise de confiabilidade internacional, tendo sido processada pela Scientific American devido à copia integral de varios artigos sem citar a fonte. (o que voces podem constatar aqui no blog do Luis Nassif http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/veja-e-acusada-de-plagiar-scientific-american

 Pelo visto o costume da cópia continua, como voces podem ver pelas capas da revista da Folha de 1995 e da Veja desta semana. Eles precisavam de um artigo que fosse "cientifico" original, e entrevistaram nas 2 semanas anteriores 8 professores da USP (que informaram a diferença entre o conceito de signo, constelação, evolução da astronomia, erros de tradução de textos antigos, etc, sem endossar a Astrologia mas tambem sem endossar este engano de interpretação) e o diretor técnico da Central Nacional de Astrologia. Como todas estas pessoas deram informações que iam contra a visão pré decidida da reportagem que pretendia ser "puramente cientifica", foram excluídas do texto final, eles usaram apenas uma frase do Quiroga fora de contexto.

Este astronomo americano que "ressuscitou" este assunto na midia depois de 15 anos tambem é um palhaço que deve estar sem serviço, porque ele fala em tom sensacionalista como se ele tivesse feito uma descoberta inedita que vai mudar todos os parametros de uma materia que tem funcionado muito bem diariamente nos ultimos 2500 anos. Naquela época, até o Fantastico fez reportagens sobre isso, então voces podem esperar novas versões destas materias sensacionalistas em breve na TV, mas geeente, estamos num país que levou o Big Brother para o 11º ano!

Aqui está o link para o site do Alexey, diretor tecnico da CNA, que foi um dos entrevistados que não foi citado:
http://devir.wordpress.com/2011/01/22/a-guerra-nas-entrelinhas/

Olha, eu uso Astrologia com moderação e com boa formação tecnica, cultural e uma razoavel inteligencia, estudei astrologia na melhor escola que havia disponivel, mas é importante salientar que minha formação original é tecnica, eu fui motivada no inicio a estudar astrologia porque DUVIDAVA que funcionasse... e acabei convencida diante dos resultados, não da metodologia ou da linguagem especifica ( que tem sido muito criticada depois desta maldita "Nova Era", onde misturar alhos com bugalhos se tornou a sopa de todo dia). Gente como Newton, Kepler, Eisntein e Jung, muito mais espertos do que eu, acreditavam no potencial dela.

Nunca forcei nenhum amigo a engolir isso se não fosse do agrado dele, nem sou xiíta de dizer que ela funciona 100% do tempo precisamente, mas todo dia tem alguem que me liga ou me escreve me dizendo que funciona, e que de alguma forma a informação que ela proporcionou ajudou em alguma coisa, é o que me basta, se com ela eu posso fazer uma coisa positiva, mantendo a humildade de saber que eu não sou onisciente nem estou completamente certa o tempo todo.

Ela é uma ferramenta, não uma religião, ela não pede que niguem acredite cegamente em dogmas nem que elimine seu raciocinio logico para usa-la, a pessoa acaba acreditando porque ve que funciona e ponto. Simples assim.

É claro que há pessoas mal intencionadas, que sabendo da eficácia se postam numa situação de Deus onisciente que tudo prevê e a quem todos deveriam se curvar, mas eles são idiotas, e tem idiotas em todos os ramos de conhecimento da Terra.

Magnetismo funciona, existe, pode até ser medido, mas até hoje ninguem provou com precisão o que ele realmente é, nem sua fonte.

No ano passado a Veja no dia dos namorados publicou uma espinafração da Astrologia chamando os praticantes profissionais de 171 e os usuarios de despreparados, usando uma entrevista com uma daquelas cartomantes de bairro de SP que se INTITULA astróloga. Astrologia leva anos para ser aprendida, requer estudo, cultura, e sobretudo tecnica.
 No artigo desta semana elevaram o nivel da critica aos usuarios chamando um psiquiatra para declarar que estas pessoas tão frageis precisam de qualquer tipo de muleta e não teem condições de avaliar que estão sendo enganadas, e chamando os astrologos profissionais de "bem pagos do ramo da leitura dos astros, que tranquilizam a galera dizendo nada vai mudar..." como se fossem estelionatarios.
Isto caracteriza uma visão editorial dirigida, que ao inves de prezar pela seriedade e apuração da informação quer doutrinar os leitores numa campanha descarada que cheira a Inquisição religiosa.

Nenhuma das pessoas que me pede alguma opinião ou leitura astrologica se enquadra na categoria de paciente psiquiatrico, e a grande maioria delas tem titulos universitarios, e portanto condições de sobra para discernir que estão recebendo uma informação de nivel simbólico, que pode ter multiplas interpretações e multiplos niveis de efeitos.

Ultimamente eu tenho praticado pouco esta arte, não mais profissionalmente nem ensinando, mas é uma questão de foro intimo, não de falta de convicção nem de respeito por ela.

o que me irrita mais é que eu tive que comprar a Veja para poder ter acesso ao conteudo do "artigo"!!!! vai forrar o banheiro do gato....

bom, desculpem o desabafo
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aqui tem um texto ótimo do astrologo portugues Nuno Michaels sobre esta celeuma.

e aqui segue colado um texto muito tecnico e explicativo do grande Carlos Hollanda sobre a mesma irritação:

"Nesta última semana, seis pessoas me enviaram e-mails perguntando sobre a mais nova notícia sensacionalista - e acrescento: falsa - que vem correndo na mídia sobre a suposta "descoberta" de um novo signo, entre Escorpião e Sagitário. Como essas seis, várias outras pessoas podem estar com a mesma dúvida e assim como respondi às primeiras com algumas explicações com base histórica, aqui faço o mesmo com o acréscimo de outros dados. Infelizmente isso que podemos tranquilamente chamar de boataria e sensacionalismo barato nos dá um certo trabalho de esclarecimento. É uma perda de tempo por um lado, rebatendo inverdades a respeito da prática e das concepções astrológicas, mas por outro é uma oportunidade de ressurgirmos no mainstream das mídias. O grande problema aqui é que esse esclarecimento já havia sido feito há mais de 15 anos, como veremos adiante, sobre A MESMA QUESTÃO. Repetir a dose dessas informações sem qualquer fundamento é um verdadeiro deboche para com o público telespectador e leitor.


Prezados, essa história do décimo terceiro signo, creiam, é mais velha que a bisavó do Ptolomeu. Inventaram agora que um astrônomo estadunidense, Parke Kunkle,"descobriu recentemente" o Esculápio ou Ophiuco (Serpentário), que é uma constelação cuja extensão ocorre bem próxima da eclítica, o caminho aparente do Sol, que corresponde à faixa do Zodíaco. Acontece que Kunkle não pode ter descoberto isso agora porque isso já se sabe há muito tempo. Já afirmei acima: essa falsa polêmica há mais ou menos uns 15 ou 16 anos já tinha sido propagada em jornais, revistas e TV's. Aqui no Brasil, entre outros programas, a questão fora vista até mesmo numa audiência como a do Fantástico ou do Globo Repórter.

Uma baboseira que não considera que o zodíaco utilizado pelos astrólogos ocidentais é o zodíaco tropical, o que é concebido segundo as estações do ano em conformidade com o hemisfério norte, onde esse simbolismo se originou. O zodíaco tropical difere grandemente do zodíaco sideral, o das constelações, sendo que um e outro só coincidiram em parte cerca de dois mil anos antes da era comum e mesmo assim, como disse, não totalmente: o tamanho das constelações e dos signos nunca foram os mesmos, nunca houve uma equiparação total entre uma coisa e outra desde as primeiras concepções do zodíaco astrológico, excetuando-se os nomes das constelações que entre outros atributos, tinham algumas estrelas que serviam de referência para a mudança das estações e seu decorrer.

O zodíaco tropical é construído matemática e arbitrariamente de forma a ajustar-se a calendários como os caldaicos, sumerianos e egípcios, com seus 360 dias e 5 dias que miticamente se atribuíam ao influxo dos deuses no mundo criado (veja bibliografia ao final). Esses 360 dias são divididos por 12 em função de alguns princípios fundamentais, entre eles:
a) o ingresso de uma estação do ano, seu ponto culminante e sua transição para a estação seguinte, o que caracteriza uma divisão da estação em três períodos. São 4 estações, cada uma possuindo 3 períodos de um mês, resultando em 12 períodos de tempo divididos igualmente. A origem dessa divisão equânime obedece a uma concepção de universo e meio ambiente que parte dos sumerianos e de outros povos a eles próximos no tempo, cujas sociedades desenvolveram-se até atingir as chamadas "cidades-estado-hieráticas". Estas sociedades não apenas herdaram do paleo e do neolítico muitas práticas de sobrevivência e convivência, como sistematizaram e deram complexidade às concepções do sagrado. Assim, o universo é concebido por esses povos como uma espécie de manifestação da ordem divina sobre o caos, um elemento de inteligibilidade que permite, isomorficamente (por analogia), organizar a vida concreta abaixo do céu.

b) o próprio processo de formação desse zodíaco das estações do ano, que entre os sumérios obedece ao sistema sexagesimal por eles desenvolvido para calcular a passagem do tempo e, de certa forma, comungar com os deuses naquele período das primeiras produções escritas em cuneiforme. O dia de 24 horas é um múltiplo de 6 (6 X 4), enquanto a hora, com 60 minutos e tudo o que dali decorre pertence a essa concepção. A divisão por 12 do zodíaco provém dali, com seis eixos interdependentes marcados pelos signos e suas polaridades. Os gregos sistematizaram ainda mais o sistema de divisão do céu cujos princípios herdaram daquelas primeiras visões. Nota-se claramente uma contribuição do pensamento pitagórico na geometria e na divisão exata de 30 graus para cada signo, encaixando-os numa perfeita circunferência, que no final é uma forma de representação do infinito e de muitas considerações acerca de uma consciência divina.

Desse modo, a inclusão de um novo signo não possui a menor pertinência para esse modelo, que perderia todo e qualquer sentido na relação do ser humano e seu ambiente com o universo percebido. Mas é precisamente isso o que tal tipo de falsa descoberta quer incutir na mentalidade do leitor. Ora, a constelação do Esculápio, também conhecida como Ophiuco (o serpentário), já era conhecida dos astrólogos-astrônomos há milênios. Claudio Ptolomeu, que viveu no século II da era comum, e cujas obras, como o Tetrabiblos e o Almagesto, nortearam a astronomia até Copérnico, obviamente conhecia essa constelação, tanto que a incluiu, e às estrelas que a formam, em suas obras. Entretanto ele mantém a divisão hierática do céu zodiacal, mantendo Ophiuco junto às constelações não-zodiacais, até porque de fato apesar da proximidade e de uma parcela dessa constelação chegar a tocar a eclítica, grande parte dela está fora do "caminho do sol".
Sendo assim, as reportagens e o astrônomo que diz ter "descoberto" essa suposta "falha" no sistema astrológico estão completamente equivocados quanto ao próprio sistema astrológico e seu processo formador, sua lógica interna, sua linguagem, entre tantas outras características próprias da astrologia. Ao se tomarem por precisos e rigorosos com o modelo científico, estão, ao contrário, sendo totalmente a-científicos ao julgarem de antemão um tema que parecem desconhecer por completo.

Enfim, é como um geógrafo dizer para um médico que se ele não usar os conceitos geográficos sobre clima para curar um paciente epilético, jamais terá sucesso. Em outras palavras, não tem nada a ver.
Alguns astrônomos (não todos) parecem também querer assumir uma postura de deuses com tudo isso. Suas palavras seriam leis no sentido cósmico, que alteram processos conhecidos e fazem "deixar de funcionar" aquilo que decretam. Dúvidas muito semelhantes foram difundidas com a alteração da classificação de Plutão. Teve gente que achava que tinha que retirar tudo o que fora dito pelo astrólogo a respeito de Plutão porque os astrônomos decidiram que ele não era mais planeta. Com a retomada dessa velha e, repito, falsa polêmica, é mais ou menos a mesma coisa: os sujeitos só querem desacreditar astrólogos e tudo o mais, confundindo as estações. Nossa... que poder divino tem esse astrônomo...! Se for assim mesmo ele deveria candidatar-se a fundar uma nova religião, já que deve ser Deus ou algo parecido...


Seguem, abaixo, duas referências bibliográficas interessantes a respeito e de bem fácil aquisição:

CAMPBELL, Joseph. As máscaras de Deus v. 2 e 3. São Paulo: Palas Athena, 2010.
STUCKRAD, Kocku von. História da astrologia: da Antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Globo, 2007


Carlos Hollanda"
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

de poeta e de louco...

Neste fim de ano uma amiga me mandou um livro que reune poesias de Carlos Drummond de Andrade.
Livros de poesia são estranhos, amados ou odiados, reservados para momentos de calma que são cada vez mais raros, prenhes de reflexão e ruminação posterior para serem bem aproveitados, muitas vezes acabam criando poeira na estante até que o tão específico estado de espírito se apresente. Tem outros livrinhos sortudos que viram companheiros de bolsa, de caminhada, cheios de orelhas e marcas que são a medida da apreciação, rugas de expressão em papel. E o poeta vive entre o empoeirado incompreendido e o amado indispensavel, gelo e fogo como no poema de Frost abaixo.
Eu creio que nem todos gostam de poesia porque poucos pensam em termos de poesia, poucos avaliam o quão fragil e forte um Hai Kai é ao mesmo tempo, e a linha sutil que existe entre a descrição de um momento e o retrato completo dele em poucas palavras que ficam marcadas na gente.

" Quando lhe falta o demonio e Deus não o socorre;
quando o homem é apenas homem
por si mesmo limitado,
em si mesmo refletido;
e flutua
vazio de julgamento
no espaço sem raízes;
e perde o eco
de seu passado,
a companhia de seu presente
a semente de seu futuro;
quando está propriamente nu;
e o jogo, feito
até a ultima cartada da jogada.
Quando. Quando." Carlos Drummond de Andrade

"Some say the world will end in fire
Some say in ice.
From what I have tasted of desire
I hold with those who favor fire,
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great,
And would suffice."  Robert Frost

(alguns dizem que o mundo vai terminar em fogo
alguns em gelo
pelo que já vi do desejo
concordo com aqueles que votam no fogo
mas se tivesse que perecer duas vezes
penso que sei bastante sobre o ódio
para dizer que para destruir o gelo tambem é otimo
e suficiente.)